segunda-feira, 4 de março de 2013

reflexão crítica sobre 7 conferências #03


entre Romantismo e Ciência
Texto crítico as partir das conferências dos: Dr. Jorge Gaspar, Prof. Mário de Carvalho e Eng. Alfredo Cunhal Sendim. 14 de Março de 2012




Escreve Gonçalo Ribeiro Telles no seu texto “Paisagem Global” que: “A invenção da paisagem é uma consequência da apropriação, pela sociedade humana, do espaço físico necessário à actividade agrícola ou à pastorícia”, reportando a questão da alimentação como primeira necessidade. A Agricultura está, em consequência, no topo da pirâmide hierárquica, pelo menos até encontrarmos novas, se desejadas, formas de alimentar o corpo. No entanto, é historicamente comprovado que a terra e o clima, nesta área geo-política, foi sempre difícil de domesticar e que o conceito da produção alimentar nacional portuguesa na economia europeia nunca foi uma prioridade. Assim, a composição geológica, conjuntamente com uma metodologia desadequada de cultivo, face as variáveis climáticas, topográficas e até políticas, torna a produção de alimentos pouco sustentável a grande escala. Contudo, o encarecimento substancial do petróleo, que levou entre outras a re-proporcionar a distribuição de alimentos a nível planetário, lançou um novo olhar sobre uma profissão desincentivada: a agricultura. A agricultura que ainda hoje é dependente de financiamentos públicos para o seu desenvolvimento, tem-se tornado um tema de discussão. Talvez uma nova oportunidade económica a explorar... Em tempos, os recursos naturais foram o princípio do estabelecimento de uma comunidade num lugar e, hoje, a sua sustentabilidade económica continua a ser conditio sine qua non para a sua continuidade. Parece, assim, incontornável a necessidade de proximidade entre o consumidor e o bem de consumo. Os dados publicados pelas Nações Unidas sobre crescimento populacional estão disponíveis, tal como as projecções sobre concentração territorial de habitantes. Ainda assim, mesmo perante as percentagens, continuamos a precisar de re-integrar na nossa economia a agricultura e a pastorícia. Talvez alguma nova prática de cultivo urbano em hortas possa aliviar a necessidade deste bem primário, mas não fará frente, certamente, à necessidade Nacional ou de aglomerados urbanos densamente habitados, como estatisticamente projectados7. Agricultura como ciência da produção alimentar, para garantir um equilibrado processo de desenvolvimento sustentável, ou como pretexto para a criação de comunidades/cidade-estado em nome de uma economia local?
Os dados transmitidos pelo Dr. Mário de Carvalho na sua investigação parecem irrefutáveis: a terra é pobre; o sistema tradicional da aragem é prejudicial ao terreno, pois facilita o escorrimento das águas e a produção é constantemente posta em perigo pela actuação da natureza. Já entendemos a necessidade de respeitar o eco-sistema para tirar o máximo proveito da terra. Conhecer e introduzir novas técnicas de cultivo, em grande escala, parece-me interessante e ao serviço do interesse público, re-descobrindo relações homem-natureza através das ciências. Os exemplos apresentados, de parcelas contíguas cultivadas durante períodos longos com técnicas diferentes à procura de soluções mais eficientes, mostram a capacidade de melhoria através do “conhecimento”8 Mas o homem é, também, tendencialmente sonhador e romântico, conseguindo encontrar novas possibilidades e oportunidades na necessidade e no descontentamento geral. A Agricultura biológica é claramente próxima de uma visão da procura do paraíso, do Éden. Alimento produzido através do cultivo de “gente”, num processo utilizado tradicionalmente ao longo de séculos que, embora seja comprovado não ser muito eficiente, leva-nos a um tempo memorial, repleto de imaginários colectivos, tanto agradáveis como às vezes fictícios. De facto, é inegável o fascínio e algum romantismo que sentimos pensando numa quinta com o seu lado áspero e duro e o outro poético e inspirador. Comunidades estão a crescer a volta deste conceito, não só à procura de uma nova economia, mas também de uma diferente forma de viver. Parece-me, contudo, haver espaço para ambas as possibilidades: necessidade colectiva e procuras individuais. Estas duas posições, aparentemente contraditórias, são ambas movidas pela vontade de tornar a paisagem num elemento vivo e produtivo, pelo respeito do equilíbrio ecológico: uma culta; outra romântica.
  1. 7  Texto crítico 3 “que futuro?”
    8  Telles, Gonçalo Ribeiro. Artigo paisagem rural 


by nadir bonaccorso



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